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Irmão
José do Patrocínio:
um herói da Abolição
A
13 de maio de 1888, assinatura da Lei Áurea. Cidade
em festa, José do Patrocínio é aclamado
herói popular.
Em 1826 Clemente Pereira
submete à apreciação da Câmara
um projeto de extinção do tráfico negreiro;
em 1827, Brasil e Inglaterra assinam tratado pelo qual o
tráfico seria proibido dentro de três anos;
em 1830 entra em vigor a proibição do tráfico.
O deputado Ferreira França apresenta projeto de abolição
gradual da escravidão; em 1833 o Congresso aprova
lei declarando livre
todo o escravo que entrar no país após esta
data; em 1845 a Inglaterra promulga o Bill Aberdeen, tornando
os navios e súditos brasileiros, que se dedicarem
ao tráfico de escravos, sujeitos a julgamento por
tribunais ingleses; em 1850, no dia 4 de setembro, lei de
repressão ao tráfico ilegal de escravos desencadeia
a ação enérgica do Ministro da Justiça,
Eusébio de Queiroz, fazendo cessar finalmente o contrabando
de negros.
Em 9 de outubro de 1853,
nasce em Campos, norte fluminense, José do Patrocínio,
vinte e sete anos após os fatos marcantes que apresentamos.
Filho de escravas, podemos imaginar que sua vida não
foi fácil. Porém, o positivo para o nosso
leitor é sentir que, mesmo não sendo agraciado
por origem, nem títulos e fortunas, fez por onde,
dando sua contribuição pela causa do negro.
Sua mãe, Justina Maria,
escrava trazida ainda criança, foi parar na fazenda
de Emerenciana Ribeiro do Espírito Santo, senhora
de terras e escravos. Veio de Mina, costa ocidental da África.
Vindo para o Rio, e antes em Campos, era quitandeira, como
aquela figura folclórica de uma negra bem colorida,
levando à cabeça cestos e balaios com verduras
que eram vendidas à portas. Viveu com dignidade dentro
de suas limitações de escrava. Teve seu filho
ainda aos 13 anos, quando morava e trabalhava em casa de
João Carlos Monteiro, cedida pela sua antiga dona.
A infância e juventude
do menino foram duríssimas. Não era filho
de "senhor", como também não era
moleque de senzala. Mas teve certa proteção.
Aprendeu as primeiras letras e recebeu instrução
básica. Vindo para o Rio de Janeiro, trabalhou na
Santa Casa de Misericórdia, onde começou com
13 anos, devido sua capacidade, vivacidade e notável
inteligência. O diretor, Cristóvão dos
Santos "... empregou-me por me achar original"
como contaria depois. Começou a estudar e trabalhar.
Dois mil réis pela ajuda na farmácia e dezesseis
mil réis que vinha do proprietário de sua
mãe aqui no Rio, ou, dito por ele mesmo em seus escritos,
"... bondade extrema de Dr. João Pedro de Aquino...
pude estudar...".
Em 1879 casa com Maria Henriqueta
Vila Nova; 1875 entra no jornalismo; em 1880, no teatro
São Luiz, ocupa pela primeira vez a tribuna para
atacar a escravatura. Em 1869 já haviam sido proibidos
os leilões e a venda de escravos em exposição
pública; 1871 em 4 de setembro após longas
brigas parlamentares sobre a "abolição
gradual", é aprovada a Lei do Ventre Livre;
em 1874, aos 21 anos, José do Patrocínio completa
o curso de Farmácia; em
1875, aos 22 anos, lança o quinzenário "Os
Ferrões" dando início a sua carreira
jornalística; em 1880, como já falamos, faz
o primeiro discurso pró abolição. Torna-se
redator principal aos 27 anos da "Gazela da Tarde";
em 1883 ocorre a fundação da Confederação
Abolicionista; em 1885, á a Lei de Libertação
dos Sexagenários, e morre sua mãe, aos 45
anos; em 1886 Patrocínio é eleito para Câmara
Municipal do Rio de Janeiro; em 1887 funda o jornal "A
Cidade do Rio"; em 1888, no dia 13 de maio, a princesa
Isabel assina a Lei Áurea. Durante a festa é
aclamado - Herói Popular.
Bem, caro e paciente leitor,
por aí lá vai a história com suas armadilhas,
quebra-cabeças, louros, glórias e pontos para
reflexão. José do Patrocínio, morreu
em 30 de janeiro de 1905, com 52 anos, atacado com a até
então incurável tuberculose. Durante sua caminhada
de jornalista, político e militante abolicionista,
era assíduo freqüentador de nossa igreja, pois
a gráfica e a redação intelectual eram
em nossas dependências. Na época, o movimento
abolicionista borbulhava entre nossas paredes. Hoje, de
original só temos o chão da sacristia e as
paredes, pois o incêndio de trinta e um anos atrás
e destruiu quase a totalidade de nosso acervo. Pobre, filho
de escrava, entretanto um negro de determinação
e posição diante de um ideal.
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