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São
Benedito, o Santo Preto

Humilde,
a mais humilde possível, foi a origem do santo. Era
filho de Cristóvão Manasseri e Diana Larcan,
descendentes de escravos trazidos da Etiópia para
a Sicília, que viviam como bons cristãos,
fiéis à lei do Senhor e humildes numa vida
de oração e trabalho.
Nada exerce maior influência na
educação dos filhos como o exemplo dos pais.
O bom Cristóvão e Diana, repartindo o tempo
entre a oração, o trabalho e a educação
de Benedito, viviam santamente.
A fidelidade à oração e a piedade dos
pais causavam profunda impressão naquela alma infantil.
As mortificações e obras piedosas propostas
pela Igreja eram rigorosamente observadas pela família.
Na Quaresma, praticavam a penitência. E Benedito,
ainda menino, na medida do possível, acompanhava
a seus pais na vida de oração e austeridade.
Benedito, quando criança, ainda,
recebeu a função de guardar os rebanhos de
Manasseri. Foi bem fiel ao dever. E enquanto as ovelhas
pastavam, Benedito rezava o rosário, com o pensamento
voltado para Deus. Lição que aprendera de
seu pai! E enquanto oferecia a seu rebanho boa pastagem
e boa água, encontrava tempo para a meditação,
no contato direto com a natureza.
Aos dezoito anos, Benedito sentiu o desejo
de se consagrar totalmente a Deus. A vida no mundo não
o atraía. E a esse ideal se dedicou até a
idade de vinte e um anos.
Benedito, certo dia, cansado, sentou-se
à sombra para descansar com alguns companheiros.
Como sempre, os que passavam começaram a ridiculariza-lo
pela cor. E riam-se às gargalhadas do pobre negrinho.
Benedito, humilde e paciente, calava-se pelo amor a Deus.
Frei Jerônimo, eremita cuja fama de santidade se espalhava
por toda a Itália, passou por perto e foi testemunha
das humilhações sofridas pelo humilde, pobre
e santo pretinho. E depois de repreender severamente a todos,
voltou-se para o patrão de Benedito dizendo: "Eu
lhe recomendo muito esse moço, pois logo virá
para minha ordem e se tornará um santo religioso".
Alguns dias depois, Frei Jerônimo
voltou a se encontrar com Benedito que arava os campos e
o chamou para acompanha-lo.
A vontade de Deus se mostrava clara. Vendeu o que possuía
e comovido deixou a casa paterna e foi para a Vida Religiosa.
A alegria foi muito grande entre os Irmãos
Eremitas de São Francisco, ao receberem em seu meio
o piedoso filho de escravos, já bem conhecido pelo
seu fervor e grande virtude. Mais feliz sentiu-se Benedito
em poder entregar-se à oração e à
penitência, sem que o mundo o impedisse ou dificultasse
sua vida.
A vida dos Irmãos Eremitas Franciscanos era bem austera.
E uniam a extrema solidão
à extrema pobreza. Sustentavam-se com um pouco de
pão que mendigavam e com algumas ervas, água
e mais nada. Vestiam-se de panos simples. As horas de oração
eram longas, de dia e de noite. E o silêncio, bastante
rigoroso. Depois de cinco anos em vida tão austera,
com a aprovação do Papa Júlio III,
Benedito fez a profissão solene. A regra dos Eremitas
de São Francisco já era de um extremo rigor
e exigia heróica virtude. Benedito ia além
da simples observância. Benedito foi um imitador perfeito
da vida de penitência do glorioso São Francisco
de Assis, seu pai espiritual.
A fama de santidade de Frei Benedito corria
longe. E alguns enfermos que eram levados até ele,
voltavam curados. Verdadeiras multidões iam ver o
santo, tocar nele, beijar-lhe as mãos. A solidão
do santo estava perturbada! Com isso, sentiu-se ofendido
em sua humildade e desejou fugir. Frei Jerônimo resolveu
levar seus monges para, cada vez, mais longe. Mas não
adiantava, pois o povo sempre os descobria.
Com a morte de Frei Jerônimo, por
ordem do Papa, os eremitas foram remanejados para alguns
mosteiros. Frei Benedito, por inspiração da
Virgem Santíssima, escolheu um mosteiro da Sicília,
da Ordem dos Frades Menores Reformados, e Convento de Santa
Maria de Jesus, perto de Palermo. Ali, porém, ficou
pouco tempo, tendo sido mandado para o convento de Sant’Ana
di Giuliana, onde ficou três anos, voltando novamente,
por ordens superiores, ao Convento de Santa Maria de Jesus,
onde permaneceu até a morte. Naquele convento, no
mais humilde ofício, iam brilhar para o mundo o poder
e a santidade de Frei Benedito.
Lá começaram os prodígios.
São conhecidos centenas de milagres, como o do aparecimento
de água onde não havia o líquido, o
de multiplicação dos pães e peixes,
o da cura de enfermos e mais tarde, a ressurreição
de mortos.
Em 1578,
foi eleito, por unanimidade, Superior do Convento de Santa
Maria de Jesus. A notícia se espalhou logo, trazendo
a todos uma grande alegria. Só o pobre e humilde
Frei Benedito sentiu-se triste, humilhado e abatido. Correu
para junto do Superior: "Pelo amor de Deus, não
permita que tal responsabilidade venha sobre mim, um pobre
negro ignorante e analfabeto! Veja minha condição
humilde! Sou filho de escravos, de cor negra, ignorante.
Como dirigir e governar sacerdotes, homens sábios,
mestres e diretores espirituais? Padre, veja que vergonha
será para o convento e para a ordem, um superior
como eu!". Não adiantou. Com isso, estava mais
uma vez provada a sua humildade e sua virtude. Só
restava ao santo obedecer. Difícil e dura obediência
para sua humildade.
O novo Superior do convento de Santa Maria
quis governar mais pelo exemplo que por qualquer outra virtude.
Não se considerava dispensado de exercício
algum que a Regra prescrevia. Não admitia para si
desculpa ou mitigação alguma. Edificava a
todos com o seu fervor na oração. Só
a presença de Frei Benedito era um estímulo
contínuo à prática da virtude. Então,
passados três anos, os Superiores elegeram Frei Benedito
para um cargo mais elevado, o de Vigário.
Analfabeto e filho de escravos, Frei Benedito
iluminado pelo Espírito Santo, dava lições
aos mais ilustres teólogos e mestres do seu tempo
e que a ele recorriam pedindo ajuda para elucidarem textos
das Escrituras e questões teológicas. Por
um dom especial de Deus, conheceu e profetizou muitas coisas,
inclusive sua própria morte. São Benedito,
como seu irmão de hábito, Santo Antônio
de Pádua, foi, no dizer de Pio XI "um prodígio
de milagres e um milagre de prodígios".
Realmente, o dom dos milagres em vida
e após a morte foi estupendo no humilde franciscano
que Deus quis glorificar na terra para confundir os orgulhosos
e mostrar os prodígios da graça divina num
pobre, ignorante e humilde preto. Faleceu no dia 4 de abril
de 1589, terça-feira de Páscoa, às
19 horas. São Benedito tinha 65 anos de idade, dos
quais passou 21 no mundo, 17 como eremita e 27 na Ordem
Franciscana.
(Resumo do Livro "São Benedito,
o Santo Preto." de Mons. Ascânio Brandão).
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