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A Igreja
de Nossa Senhora do Rosário

Remonta
a mais de 350 anos a história da devoção,
no Rio de Janeiro, tanto de Nossa Senhora do Rosário
quanto de São Benedito. Em 1639, devotos da santa,
que tinha a sua imagem na Igreja de São Sebastião,
no Morro do Castelo, fundaram uma confraria, que existiu
na mesma época, paralelamente a outra, devotos de
São Benedito, ambas fundadas por homens pretos, livres
e escravos. No ano de 1667 foi eleito pela confraria de
São Benedito, donde a origem e fundação
da Irmandade que reuniu as duas instituições.
A Irmandade de Nossa Senhora
do Rosário e São Benedito dos Homens
Pretos, aprovada a 22 de março de 1669 por provisão
do prelado Manuel de Souza e Almada, prosperou, ainda na
área do Morro do Castelo, mas diversos problemas
de ordem da administração religiosa, verificados
nos anos seguintes, despertaram nos devotos o desejo de
construir sua própria igreja. Em terreno doado pela
devota Sra. D. Francisca Pontes, e por alvará de
14 de janeiro de 1700, foi concedida licença para
a edificação. Em dois de fevereiro de 1708
realizou-se a benção do terreno e a colocação
da primeira pedra, pelo Revmo. Padre João Pimenta
de Carvalho, iniciando-se as obras dias depois.
O sucesso de tal empreendimento
contou com a ajuda inestimável do governador Luiz
Vahia Monteiro, o "Onça", que se dedicou
incansavelmente e com especial simpatia em apoiar o projeto.
Assim, em pouco tempo a capela-mor estava construída
e em 1725 é dada por concluída. Em sinal de
eterna gratidão, a irmandade manda colocar solenemente
no Consistório da Igreja, um retrato do seu benfeitor.
Em 1737 passa a sediar a Sé do Rio de Janeiro, provocando
novos problemas e confrontos para a irmandade. Não
foi a primeira mudança de sede da Sé, que
no ano de 1734, devido à realização
de obras na igreja do Morro do Castelo, passara a catedral
para a igreja da Cruz dos Militares. Anteriormente, em 1659,
o prelado tentara transferir a Sé para a igreja de
São José, encontrando forte resistência
daquela irmandade. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário
e São Benedito entretanto, acatou a ordem superior,
e o cabido ali instalou a sua sede provisória.
É
na condição de catedral do Rio de Janeiro
que ela será a primeira igreja a ser visitada pela
família real, na chegada de D. João VI e comitiva,
no
dia 8 de março de 1808. ligada a diversos episódios
históricos - inclusive por ter o Senado da Câmara
funcionando durante longo tempo no Consistório -
como o Dia do Fico e a campanha abolicionista. Depois de
sediar o Senado, o Consistório abrigou também
a Imperial Academia de Medicina.
Nela também foram
velados originalmente a Princesa Isabel e o Conde D’Eu,
cujos restos mortais foram posteriormente transferidos para
Petrópolis. Sua sacristia foi transformada em câmara
ardente, por ocasião da morte do Irmão e líder
abolicionista José do Patrocínio.
Em
26 de março de 1967 a bela igreja de mais de 240
anos foi quase completamente destruída por um incêndio.
A Tri Secular Irmandade de Nossa Senhora do Rosário
e São Benedito dos Homens Pretos do Rio de Janeiro,
com o apoio dos devotos, empreendeu sua reconstrução,
ainda não concluída, mas cuja restauração
está sendo negociada.
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